
Mais de sete dezenas de pessoas ficaram ontem alojadas no
Polivalente de Coja. Vindas de várias localidades da freguesia, foram evacuadas devido à intensidade do fumo, durante a noite e dia de ontem. Também ontem foi accionado o Plano Municipal de Emergência de Arganil.
Apesar da intensidade das chamas que continuarem a lavrar em diversas frentes na
zona do Piódão, o ambiente serenou, durante o dia de ontem, na freguesia de
Coja, depois de uma noite atormentada. Mário Vale, vice-presidente da autarquia de Arganil, explicou que, devido à intensidade do fumo e não tanto pela proximidade das chamas, foi necessário proceder à evacuação de algumas dezenas de pessoas, nomeadamente das localidades de Piódão, Chãs de Égua, Foz da Égua, Tojo, Foz Pirreiro e Covica. A estes, sobretudo pessoas de idade avançada, mas também alguns jovens, juntaram-se, durante o dia de ontem, habitantes de
Sobral Gordo, Soito da Ruiva, Mourisia e Tojo.
No total, estavam, ontem ao princípio da noite, 73 pessoas alojadas no Polivalente de Coja, de acordo com Mário Vale, que sublinhou o facto da autarquia ter accionado o Plano de Emergência, não tanto pelas chamas, mas sobretudo devido aos efeitos do fumo.
Preocupado com o desenvolvimento do fogo, que transformou a
Serra de Açor num verdadeiro pasto de chamas, Mário Vale sublinha a forma eficaz como todo o processo de alojamento das populações evacuadas - algumas da quais com a roupa que tinham no corpo - foi conduzido, bem como o apoio prestado, mormente ao nível de assistência.
Apesar da imensidão das chamas, que chegaram ao concelho de Arganil, vindas de Seia, na tarde de quarta-feira, não há registo de destruição a não ser da floresta. Ardeu uma escola em Souto da Ruiva, afirmou Mário Vale, adiantando que se trata de uma antiga escola primária, desactivada há muito, que a autarquia cedeu à comissão de melhoramentos local. Tirando isso, segundo o autarca, há apenas registo da destruição de alguns barracões.
Coordenação eficazO governador civil que acompanhou de perto, ao longo de todo o dia ,as operações de combate às chamas, deslocou-se ontem à tarde ao centro de comando, instalado na
Serra do Açor, onde de resto também esteve, ontem por volta das 17h00, o ministro da Administração Interna.
Henrique Fernandes exalta a boa articulação dos diferentes organismos em prol da eficácia, nomeadamente forças de segurança, bombeiros, serviços com responsabilidade na gestão da floresta, dispositivos que trabalham na área da prevenção e serviços municipais. A propósito, refere-se ao facto de terem sido accionados os planos de emergência de Oliveira do Hospital (quarta-feira à noite) e Arganil (ontem), considerando que funcionaram perfeitamente.
Foi possível evacuar, com segurança e tranquilidade, de forma preventiva, cerca de 200 pessoas», afirmou, referindo-se a todo o apoio, em termos de alimentação e alojamento, que rapidamente foi operacionalizado, quer em Coja,
quer em Oliveira do Hospital, onde foram evacuadas pessoas das povoações de
Parente e Chãs de Égua.No terreno estavam, ontem ao princípio da noite, com as chamas mais calmas mas ainda longe de serem consideradas sob controlo, após 57 horas sem tréguas, como sublinha o governador civil,
210 bombeiros, 60 viaturas e três máquinas de arrasto, consideradas fundamentais nas operações. De importância significativa, sobretudo para retardar as chamas, estiveram, também, os meios aéreos, nomeadamente, segundo o governante, dois helicópteros, um cannadair e um dromadair, cujas descargas com uma precisão cirúrgica» são fundamentais no entender de Henrique Fernandes.
Aflição em Oliveira do HospitalEm Oliveira do Hospital ontem ao princípio da noite a situação era de quase desespero, com os bombeiros, exaustos, a lutarem contra as chamas. Parece gasolina a arder, disse o comandante da corporação, que há três dias consecutivos se defronta numa guerra sem tréguas com o fogo. Depois de, na noite de quarta-feira, ter sido accionado o Plano de Emergência e terem sido evacuadas algumas povoações, a manhã de ontem acabou por se revelar mais calma. Segundo aquele responsável, o incêndio foi praticamente extinto ao final da manhã, mas, por volta das 14h00, o aumento da temperatura, do vento e a baixa humidade, provocaram o reacendimento, na zona de S. Sobral, com as chamas a ganharam terreno ao longo da encosta.
Ao princípio da noite, segundo fonte dos bombeiros, o incêndio lavrava em direcção a
Parente, Alvoco de Várzeas e Avelar, localidades sobre as quais recaíam as atenções dos bombeiros, que procuravam evitar a aproximação das chamas. Ainda durante a tarde de ontem, e segundo a mesma fonte, foi necessário proceder à evacuação da pequena povoação da
Malhada.
Exaustos, sem perspectivas de verem o fogo controlado, os bombeiros de
Oliveira do Hospital mantinham-se no terreno, contando com a colaboração da corporação de
Vila Nova de Oliveirinha.