Se não agarrar agora lugar nas listas, o político (ou candidato ao estatuto) corre o risco de ficar apeado. Mais um par de meses e já o ramo, demasiado composto, se presta menos a desbastes de ocasião.
O processo assenta em discretas movimentações ou despudorados confrontos. Em contagem de espingardas. Em pequenas e médias facadinhas. Só ocasionalmente se exprimem projectos políticos alternativos. Ainda mais rara é a oferta de palco político a quem se destacou na sociedade civil. Os veteranos, quase todos, lutam por poiso elegível. Aos outros, extraídos de bem-comportadas juventudes partidárias ou familiares de políticos de carreira, talvez seja concedida uma oportunidade de tirocínio.
Não é espectáculo que passe na televisão. Mas pressente-se, numa ou noutra notícia, quão fervilhante já anda a preparação dos três sufrágios. Mais a mais num contexto de reserva obrigatória de lugares ao sexo feminino. Anda por aí muito homem danado com essa modernice da lei da paridade, que o empurra para a reforma ou o obriga a esperar por nova vaga. Mulher que, desprevenida, passe por estes dias no Largo do Rato, na Rua de S. Caetano, no Largo do Caldas - eu sei lá... - arrisca-se a ser convidada a candidatar-se.Manuela Ferreira Leite, que ainda não deve ter feito contas aos milhares de mulheres que terá de recrutar, já fixou regras. Quer separar, em definitivo, as águas: autarcas não se candidatam a deputados. Como era de esperar, logo se ouviram protestos, a começar pelos do sempiterno e troglodita presidente da Câmara de Poiares, Jaime Soares.
Sendo uma medida de elementar higiene política, o PSD não a inscreveu na necessidade de renovação de quadros, mas, digamos assim, na clarificação das escolhas. Se vier a concretizar-se, será um passo histórico para acabar com o truque do costume: o senhor presidente da Câmara faz valer o seu prestígio local na corrida ao Parlamento, mas depois - era a brincar - recolhe aos Paços do Concelho. Falta saber se Ferreira Leite leva a coisa a peito. Se também está disponível para não se recandidatar à Assembleia Municipal de Arganil e impedir que o seu "vice", António Borges, volte a disputar a de Alter do Chão.Ora aqui está um bom tema de debate, antes que a campanha aqueça: acabar de vez com a promiscuidade política, tão velha como a nossa democracia, de governantes que mantêm um pé nos parlamentos locais.
Não seria mais transparente que cada macaco só ocupasse o seu galho?



